Preferências

12 Junho 2008 · 1 Comentário

Por Litiane Klein

Tem gente que me fala de lareira, cobertores, habitados a dois, tremores de frio gostoso, beber vinho, comer chocolate com mãos geladas. Tem gente que me fala de roupas elegantes e sono embaixo de pilhas de edredons, banho saindo fumaça e aquecedores ligados, mas mesmo parecendo ter um toque de filme romântico, nada disso me fala ao coração.

 

Eu tenho alergia a cobertores, não bebo vinho, gosto de chocolate meio derretido e prefiro os ventiladores. Gosto de beijos e mãos dadas na beira da praia, ao sol escaldante do meio-dia ou à brisa leve da meia-noite. Gosto de dançar pra suar mesmo e prefiro sentar ao ar livre em barzinhos.

 

Meu corpo não sabe sentir frio e minha mente fica preguiçosa e pesada nas baixas temperaturas. Me sinto alegre quando abro a janela e o sol penetra a casa, dourando tudo, iluminando minha alma de vontade de deitar na areia branquinha da praia e tomar muitos banhos de mar.

 

Acho lindo mantas, botas, sobretudos, mas pra olhar naquelas mulheres de filmes e nas vitrines de lojas, porque, sobre o meu corpo, prefiro ter mesmo um vestidinho leve.

 

E vou parar por aqui, porque está muito quente e já devia estar na praia.

 

 

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Campanha dos pequenos atos

06 Junho 2008 · 3 Comentários

 

Por Litiane Klein

Ao acordar de manhã, hoje, abro meu e-mail e me deparo com o desabafo enviado por um amigo, que cita fato que ocorreu com ele no supermercado. A pessoa que estava na frente dele na fila do caixa abriu e leu uma revista, e depois colocou a publicação de volta na prateleira, o que deixou meu amigo indignado a ponto de observar para sua vizinha de fila que ela tinha lido a revista e deveria, então, comprá-la. Infelizmente, não podemos nos espantar com a reação da senhora, que simplesmente ignorou o apelo do meu amigo.

 

Pode parecer uma coisa boba, mas fiquei pensando sobre isso. Por que será que hoje tantas pessoas acham normal fazer o errado, a ponto de debochar e ridicularizar quem apela pelo correto? O CDF, o certinho, o chato que quer que o mundo seja perfeito… Mas o que tem de errado com um mundo perfeito?

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Procura-se o homem invisível

05 Junho 2008 · 2 Comentários

De nome desconhecido, pele negra, cabelos esculhambados e brancos pelo tempo, barba longa, pés e mãos rachadas, procura-se! Foi visto pela última vez com um grande saco de latas nas costas, maltrapilho, calçando chinelos, de chapéu de palha, calça preta, camiseta verde e um casaco surrado sobre os ombros. Sujeito magro, estatura média, de passos lentos, cabeça baixa, semblante carregado e corpo encurvado. Dorme em bancos de praças, almoça nos pontos de ônibus, andarilha por lixeiras atrás de restos de comida. Hoje, na chuva, esperei ele chegar, mas novamente não apareceu. Se conseguir enxergá-lo, diga que estou procurando. Quero saber de onde veio, do que é feita sua história, descobrir como vive esse homem invisível.

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Dicionário de portoalegrês

29 Maio 2008 · 2 Comentários

Aos amigos baianos que me questionam sobre a linguagem gaudéria, aí vai o significado de algumas expressões bem usadas no Sul, retiradas do Dicionário do Portoalegrês, de Luis Augusto Fischer.

Abaixo do cu do cachorro - Posição mais que humilhante. Quem foi muito insultado se sente assim, nesse lugar metafórico;

Abichornado - É o cara que está sem graça, ou que perdeu a graça;

Atrolho - Situação resultante de atrolhar-se: confusão, excesso, balbúrdia indesejável. Uma festa muito cheia de gente é um ‘atrolho’.

Bah - Significa tanto aprovação quanto desaprovação. Já se disse que é uma redução de barbaridade, palavra com a qual o resto do brasil nos identifica, em vários sentidos. Muito usado como fala de aprovação enfática a algo feito ou dito: ‘mas bah’ quer dizer ‘tu tens toda razão’, ‘pode crer’, é isso aí’. A expressão ‘bah, tchê’ equivale, nos termos paulistanos, a ‘ôrra, meu’: tem função mais ou menos apenas retórica.

Capaz - Resposta negativa sintética, de alta expressão e de grande uso. Usada, não sei por quê, especialmente por mulheres (acho eu). ‘Tu vai lá?’, responde a moça, entre o espantada com a pergunta e o indignada com a mesma coisa : ‘capaz’. E depois, na fala, não tem nem ponto de exclamação, é ponto final mesmo. Deve ter-se originado de uma pergunta de resposta a uma pergunta; no caso aí de cima, a resposta da moça, por extenso, seria algo como ‘então tu achas que eu seria capaz de ir lá?’

Guisado - Tanto a carne picada ou moída (aquela que na Bahia se chama boi ralado).

Lagartear - Ficar no sol com a intenção de aquecer-se e curtir as delícias do seu calor; Obviamente só é possível lagartear nas meias-estações e no inverno, quando o sol é raro e esta região do planeta fica bem friazinha; Origem óbvia e inspirada na atitude do lagarto, que fica ao sol; No nordeste se fala em ‘esquentar/aquentar o sol’, no mesmo sentido. Falando nisso, em inglês há um verbo, to bask, que significa a mesma coisa, e isso provavelmente porque lá, terra de clima inclemente como o nosso, também faz sentido lagartear, basking.

Tchê - Vocativo geral nesta banda do mundo; associado: ‘tchê de deus’ (ou ‘do céu!’)! Se usa em qualquer parte, a todo momento, meio inutilmente: ‘aí, tchê, eu cheguei e falei pra ela. bah tchê, foi tri’.

Tri - Advérbio de uso universal em porto-alegres. Em geral, quer dizer ‘muito’: um sorvete pode ser ‘tribom’, um jogo pode ser ‘tridisputado’, uma mulher pode ser ‘trigostosa’, etc.  Há uma teoria corrente na cidade que atribui a origem do termo à conquista da copa do méxico, em 1970. o Giba Assis bBasil refina a teoria, dizendo que, além desse tricampeonato, houve também um tri estadual do colorado, que a partir da inauguração do Beira-Rio (1969) iniciou mais uma senda de vitórias, conforme reza o hino do timinho, vindo a completar um ciclo que alcançou o octa-campeonato e três campeonatos nacionais, em 75, 76, 79. Mais uma hipótese: em certo momento houve um caso rumoroso de doping futebolístico, não lembro de quem, se gremista ou colorado, que teria tomado um remedio Trimedal, que pelo jeito fazia mais do que curar gripe. No mínimo, a circulação do nome ‘trimedal’ pode ter reforçado o uso do tri.

Trovar - O mesmo que conversar, especialmente conversar fiado. ‘Bah, e o cara ficou me trovando uma hora’, querendo dizer que o tal cara ficou enrolando, jogando conversa fora. Às vezes pode ter significado positivo, quando por exemplo se usa pra dizer que um sujeito, interessado em certa moça, fica ‘trovando’ com ela, neste caso querendo significar que ficou ‘gastanto o melhor do seu latim’ para obter a consecução de seus amorosos fins. Se usa também para reprimir o interlocutor mentiroso dizendo ‘não trova, meu’.

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Uma noite…

29 Maio 2008 · Não Há Comentários

…de sábado, em Salvador, num bar, algumas pessoas bebendo, conversando, e um diálogo efusivo interrompe todos. A anômala dispara para uma amiga, que estava acompanhada de Fernando:

- Bicha é tudo aidética! Não sento em nenhuma mesa que tenha bicha, não…porque vão dizer: “Essa aí ó, é sapatão!” Bicha também é pedófilo, é…pe dó fi lo. Porque eu, eu me preocupo sim com o que os outros vão dizer de mim. E tem mais, eu te enfio uma faca no pescoço, eu te mato, viu. Porra! Caralho! Eu não tenho dinheiro, não porra, eu não tenho dinheiro…

A amiga tenta acalmar os ânimos da anômala , afinal, eles estão num bar e as pessoas já estão comentando. Já o Fernando, coitado do Fernando, catatônico, parece não acreditar no que ouve. Ele só saíra pra se divertir, só para se divertir…

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A Bahia

29 Maio 2008 · Não Há Comentários

Por Litiane Klein 

Cheiro de terra molhada

Inspira poemas no meu coração

Chuva fina que cai lentamente

Mas, ao fundo, um sol caindo também

Dentro do mar que avisto em pedacinhos da janela

 

Um barquinho passando

Rasgando a superfície prateada

Me deixa nostálgica e sonhadora

Leva minha alma por sítios tranqüilos

Onde ainda quero habitar nesta vida

 

Chuva que consigo sentir se estender o braço

Sol que me doura a alma

Mistura de tudo

Um pouco de nada

Sem palavras

Sem rótulos

 

Diferente dos consensos

Irritante como a chuva

Que também pode ser doce

Ao trazer o cheiro que me encanta

 

Ofuscante como o sol

Para o qual não posso deixar de olhar

Assim é minha Bahia

De todos os Santos

De todas as dúvidas

De todas as surpresas

De todas as alegrias

Do meu coração, a Bahia.

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Aos 29, na Bahia

26 Maio 2008 · 5 Comentários

Por Litiane Klein

Como disse uma amiga de longa data, ao me dar parabéns pelo meu aniversário, na última quinta-feira, vou aproveitar bem este ano, porque no próximo, serei uma balzaquiana… rsrsrs. Dou risada, mas é verdade. Agora, fico pensando, será que imaginava que ao completar 29 anos, eu estaria na Bahia?

Acho que sim, por um lado sonhador, que talvez seja o meu lado mais forte, pois me lembro que desde muito pequena eu dizia que ainda ia morar em um lugar que tivesse sol, calor e praia o ano todo. Não sei porque essa “tara” por praia e calor sempre esteve comigo, mas hoje posso dizer que meus melhores momentos foram perto do mar, e que o dia já começa diferente quando olho pela janela e vejo o sol brilhando. Acho que, de uma certa forma, eu não tenho do que me queixar. Realizei ou estou realizando os meus sonhos mais básicos embora ainda falte muita coisa, já que sonhos, pelo menos pra mim, são renováveis a cada amanhecer. Mas alguns deles ficam pra sempre na alma, e esses são os que nos tiram o sono quando sabemos que estamos distante do caminho que pode nos levar a realizá-los. Bom, meu sono tem sido tranqüilo porque creio que, embora me impaciente por algumas demoras, estou no caminho dos meus sonhos e já tenho até uma boa cota de realizações.

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Reviravolta planetária

26 Maio 2008 · Não Há Comentários

O sol nasce e num quarto escuro pela força das cortinas pesadas o despertador toca. É segunda-feira e, como de costume, ele levanta para mais um dia de trabalho. A luz é acessa, assim como a televisão, que breve vai informar como o tempo deve se comportar naquele dia. Enquanto isso, ele vai até o banheiro. Abre a torneira, lava o rosto, e junto com as milhares de gotas jorrando pela pia, faz a barba lentamente. Seu corpo recebe um banho demorado enquanto ele pensa em tudo que lhe espera naquela semana. Ao voltar para o quarto liga o rádio, assim como a televisão, que acaba de encerrar o noticiário local. No teto, o ventilador usado à noite por conta do calor, ainda gira descompassadamente.

Dali ele se veste, pega seu carro, vai para o escritório e se surpreende ao ver o colega do veículo ao lado atirar pela janela um copo descartável de uma bebida qualquer que acabara de tomar. A situação poderia ser uma história inventada se não fosse o mais puro retrato dos excessos cotidianos que cometemos diariamente contra o ambiente que vivemos. E enquanto em nossa mente a idéia de que o reflexo da devastação ambiental é algo do futuro, relegado as próximas gerações, os recursos naturais seguem se esgotando, já nos mostrando no presente um ensaio do alto preço que pretende nos cobrar neste século XXI. Keep reading →

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Baianos S/A

21 Maio 2008 · 2 Comentários

Por Litiane Klein
Baianos (e fique bem claro que me refiro ao sexo masculino mesmo) é uma marca, uma razão social, quem sabe uma máfia. É um nome, que mais do que designar ser nascido na Bahia, é adotado também para apontar uma espécie masculina com um comportamento peculiar. Baiano é capaz de sumir por meses e depois mandar um e-mail dizendo que perdeu o celular, ao mesmo tempo em que estava desempregado e doente, e por isso não conseguiu chegar perto do computador antes. Depois dessa tragédia toda, é claro que eu deveria ficar com pena dele e esperá-lo de braços abertos, concordam? Alguém deve concordar, porque se é aplicado, alguma vez na vida deu certo.

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Exercício de paciência

20 Maio 2008 · 4 Comentários

Por Litiane Klein

Depilação já é um momento delicado na vida da mulher. Não me diga que pode imaginar, pois só mesmo quem já passou por ele pode saber o quanto. Pense no que é você ficar ali, com suas partes mais íntimas em evidência total, imaginando se não foi arrancado algo a mais que pêlos naquele puxão nada sutil, e tendo ainda que ficar em posições mirabolantes, diante de uma pessoa desconhecida ou quase. É lenha! Ontem, na Bahia, a depilação por pouco não vira um momento quase trágico, além de delicado.

Estou eu passando pelas minhas horas de tortura depilatória, quando, justamente no momento horripilante no qual é necessário adotar a posição de barriga para baixo, de repente, toca o celular da depiladora. Ela não hesitou. Simplesmente me largou ali, de bumbum pra cima e completamente banhada na cera quente, e foi atender o inconveniente aparelho. Mas vocês pensam que ela apenas silenciou o telefone e continuou o que estava fazendo? Pensam que ela disse um rápido “agora não posso atender”? Talvez em outro lugar do mundo seria assim… Keep reading →

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E agora, sem Zélia?

19 Maio 2008 · Não Há Comentários

Zélia GattaiEstando em Salvador não poderia deixar de comentar a morte da escritora Zélia Gattai. Confesso que não sou profunda conhecedora de sua obra, mas aqui na cidade ela era uma figura bem respeitada. Uma mulher reconhecida por não ter vivido a sombra do Amado. Depois do anúncio do falecimento, conversando com uma amiga, nos perguntamos: e, agora, a casa caiu? Me refiro a Fundação Casa de Jorge Amado, que além de reunir o acervo do escritor, é um centro literário vivo e atuante.

No final do ano passado, João Amado, neto dos escritores, afirmou que a família planejava doar manuscritos e outros itens que pertenceram a Amado para uma instituição nos Estados Unidos. Isso porque a casa, encravado no Centro Histórico de Salvador, não tem condições de conservar o material. A Fundação precisa de recursos do poder público e, sem este retorno, a família não hesitaria em mandar o material para o exterior. Talvez as declarações do neto tenham sido uma forma de pressão, mas me pergunto: com a morte da viúva, como os filhos e netos conduzirão a história dos escritores?

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E cadê o sol?

19 Maio 2008 · Não Há Comentários

Por Litiane Klein

Quando eu estava saindo do aeroporto de Porto Seguro, onde meu vôo fez a segunda parada do trajeto até Salvador (a primeira em São Paulo), meu coração já estava antevendo o mar banhado de um sol de fim de tarde que, eu achava, me esperava em Salvador. No entanto, uns minutos depois de decolar rumo à minha casa, o comandante deu a triste notícia: “Na capital baiana, tempo nublado e chuva fraca.” Poxa vida! Depois de todos esses dias de frio e umidade gaúcha e catarinense, eu bem que merecia ver nem que fosse um pouquinho lá de cima o sol se derramando por Salvador. Mas não deu.

Me esperava uma chuva fininha e muitas nuvens tapando o céu e a escuridão da noite já caindo sobre a cidade, mesmo sendo pouco mais de 17h… Mas pelo menos deu pra ver o Farol, lindo lá embaixo quando o frescão chegou no Cristo. Imagem típica de postal!

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Sessão nostalgia

18 Maio 2008 · 4 Comentários

Grêmio    Depois de uma semana pra lá de chuvosa em Salvador pensei que o findi fosse dar uma trégua. Ontem, na verdade, fez sol por essas bandas, mas resolvi ficar em casa trabalhando ao invés de curtir uma praia. Deixei para o domingo, mas o dia amanheceu nublado e com chuva de novo. Embora esteja na terra do sol, ele não brilha por aqui o ano inteiro.

    Como acordei passando das 14h (a festa foi boa! :) ), acabei me dando ao luxo de ficar atirada, curtindo um ócio. Aproveitei para matar as saudades do meu time, que estava jogando no Olímpico com o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Nossa! Bateu uma saudade da terrinha, dos tempos em que frequentei o estádio e curti algumas vitórias do Tricolor, como a final do Campeonato Brasileiro de 1996, contra a Portuguesa. Lembro que me metia no meio da torcida, cantava e falava todos os palavrões possíveis e imagináveis. Tinha pena dos guris que me levavam, porque eu não entendia (como ainda hoje não entendo) nada de futebol, e queria que eles me explicassem os lances durante o jogo.

Hoje a sessão nostalgia foi tanta que passei a tarde de calça de pijama e moletom de manga comprida, das mais fiasquentas, porque nem estava tão frio assim. Pra completar, coloquei um CD do Engenheiros do Hawaii…e assim refiz meu pampa…só faltou o bolinho de chuva e o chimarrão.

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Odisséia na noite

17 Maio 2008 · 2 Comentários

Esses dias já deixei aqui um comentário sobre o quanto é difícil, quase impossível, ser bem atendido em Salvador, seja num restaurante, num bar ou mesmo no supermercado. A impressão que tenho é que o atendente quer estar em qualquer lugar naquele momento, menos ali, na tua frente. Daí já viu, o resultado não pode dar em boa coisa. Ontem fui com três amigos num bar no bairro de Ondina. Primeiro que os garçons levaram séculos para chegar na nossa mesa. Os guris pediram chopp e eu um refri. Claro! Os chopps vieram e meu refri, nada. Desisti de beber! Pedi para o cara passar um pano na mesa, que estava toda melecada de cerveja dos clientes anteriores. Ele não limpou.

Novamente chamamos o garçon. Os meninos pediram mais um chopp e a indicação de um tira gosto. Pasme, mas o atendente balbuciou algo do tipo: “Olha no cardápio, ué. Pra isso que ele serve”. O Adriano, que estava na mesa com a gente, se indignou. Quase que rola uma briga. O atendente ainda solta uma. “Você vai ficar discutindo ao invés de fazer o pedido logo?” Mesmo depois de toda essa dificuldade, eu decidi comer. Como os garçons ignoravam nossa mesa fui até o balcão e repeti duas vezes o meu pedido, ressaltando: “É para a viagem”. O pedido, claro, não veio embrulhado para a viagem. Fui para a casa pensando que não vou cansar de comentar cada vez que um episódio desses acontecer, e de lamentar também, por que isso só atesta algumas coisas que todo mundo pensa sobre o baiano.     

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Chega de drama!

16 Maio 2008 · 2 Comentários

“O que esse povo de outros Estados quer fazer em Salvador ocupando o espaço profissional que poderia ser de um baiano?” A pergunta foi disparada por uma colega de trabalho e embora a frase não tenha sido direcionada para a minha pessoa, o chapéu serviu! Quando cheguei em Salvador me chamou a atenção a maneira como fui “recebida” nos locais por onde passei em busca de uma colocação profissional. Senti que o simples fato de dizer que era de “fora” já fazia com que meu currículo fosse olhado com outros olhos. E isso é ruim. 

É fato que aqui existe um problema de base relacionado com a educação, uma deficiência no ensino pautada por questões econômicas e sociais, e ainda reforçada pela mentalidade brasileira de culto ao outro. E se é sabido que o baiano tem um outro ritmo de tocar a vida, conceito já tri enraizado pelo Brasil a fora, também é latente que esse povo precisa se enxergar, sacar o quão rica é sua identidade. Sempre que digo que sou gaúcha as pessoas fazem questão de ressaltar o quanto somos bairristas e nos apropriamos de nossas tradições. A Bahia tem uma trajetória tão incrível quanto a do Rio Grande do Sul, só falta ao baiano se reconhecer nela, pra daí sim passar a se levar a sério. 

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A culpa é do Markun!

15 Maio 2008 · 7 Comentários

Desde que me tornei uma bloqueira, sábado passado, dia 10, me comprometi a fazer no mínimo um post por dia. Pois a curta promessa foi quebrada ontem. Culpa do paulista Pedro Markun, que de passagem por Salvador quis encontrar alguns “blogueiros baianos”. Pois bem, o encontro foi marcado através de uma lista de discussões e de mais de 50 membros, fomos eu e Iuri Rubim (http://iurirubim.blog.terra.com.br). O papo começou no Bar Líder, no Largo 2 de Julho e terminou no Pós Tudo, já no começo da madrugada, depois de muitas Bohemias brindadas. De mutantes a engenharia de tráfego, passando por futebol (fiquei um pouco excluída nessa hora e aproveitei pra ir ao banheiro), livros, tradições e música gaúcha, o papo seguiu. 

E como um bom papo requer considerações póstumas, aqui fica uma registrada. O Markun comentou, meio desapontado, sobre a ausência de vida noturna na capital baiana. Aquela idéia de que Salvador é festa 365 dias por ano, 24 horas por dia, também caiu por terra quando eu me instalei por aqui. Tá certo que ontem foi quarta-feira e que muita gente acorda cedo no outro dia, inclusive eu, mas já cansei de ser corrida de buteco logo que a madrugada dá o ar da graça por aqui. O Rio Vermelho, onde estávamos, é considerado o bairro mais boêmio da cidade, embora de boêmio não tenha mais quase nada. O que se vê ultimamente são estabelecimentos com as portas fechadas e alguns cachorros circulando no meio da rua.  

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Eu tô aqui!!!

13 Maio 2008 · 2 Comentários

Bom, acho que vale uma apresentação. Afinal, uma intrusa de repente assim, do nada…!!!

Eu sou a Litiane, não Lidiane, mas Litiane, e Liti, para os íntimos, e na verdade pra quem quiser me chamar assim. Também gaúcha, também abancada atualmente em Salvador, terra que acabei de declarar ser agora minha casa.

Resolvi me infiltrar, com consentimento, claro, no blog da Marla, mas pra quem já veio junto de Porto Alegre, mora junto e trabalha junto, ter um blog junto é só um detalhe!

E é isso… estou por aqui.

Litiane Klein

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Longe de casa by Liti

13 Maio 2008 · Não Há Comentários

Longe de casa, há quase uma semana… Assim estou eu, longe de casa, mas em casa, ao mesmo tempo. É uma confusão danada, mas estou longe da minha casa Salvador, há quase uma semana, e na minha casa Porto Alegre, e amanhã, ainda, pra fechar essa coisa toda, vou pra minha casa Santa Catarina. Ufa!

Mas agora, aqui, nesta minha segunda vinda ao RS, desde que resolvi morar em Salvador, muitos sentimentos que eu não imaginava me vieram de repente. Inclusive esse, de que Salvador é, definitivamente, neste momento, minha casa. Embora seja doce andar pelas ruas arborizadas do Bom Fim (meu bairro favorito de Porto Alegre), passear pelo tão saudoso e famoso Brique da Redenção e sem dúvida uma benção estar com minha família, sei que a sensação de lar vai estar me esperando quando eu descer a Oceânica em direção ao Porto da Barra e ver o Farol se mostrando lá embaixo, com aquele mar paradinho e azul me envolvendo. Keep reading →

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Conto do baiano

13 Maio 2008 · 2 Comentários

Ai, ai viu e durma com este barulho são expressões comumente usadas aqui em Salvador para expressar alguma reação de descrença, descrédito ou mesmo um estado de embasbacamento em relação a algo que a gente viu, ouviu ou sentiu na pele. Eu incorporei essas frases quando vou narrar pra alguma amiga um affair vivido com um baiano. De trágica, virou cômica a “relação” que os homens daqui estabelecem com as mulheres. E não falo só em meu nome. Das moças com quem convivo, não necessariamente as soteropolitanas, que já se condicionaram ao jeito de ser dos seus pares, todas também concordam que as desculpas aplicadas por eles são conversa pra boi dormir. A última que ouvi para justificar a falta de um telefonema (depois de 5 meses do último contato) foi que o cachorro havia abocanhado o celular do indivíduo e mantido-o refém dentro de sua casinha até que, depois de algumas semanas, o aparelho foi descoberto no doce lar do cãozinho. Outra boa. Keep reading →

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Por que Salvador?

12 Maio 2008 · 2 Comentários

Já perdi as contas de quantas pessoas me perguntaram por que sai do Rio Grande do Sul rumo a Salvador. E esse roll de questiomentos não vem só do lado daqueles que não conhecem a capital baiana, o que poderia justificar. Pessoas que já estiveram por essas bandas e mesmo as que moram por aqui, também querem saber. Só neste final de semana, cinco me abordaram sobre o tema. Não tinha parado para pensar sobre isso, embora no fundo, saiba a resposta. Os que me conhecem vão supor que é pelo clima de festa que ronda a cidade e seu ar de libertinagem. Pode ser um pouco por isso, já que com essa energia muita coisa boa vem a reboque, mas foi por muito mais. Embora adore o Rio Grande do Sul e nossas tradições, a Bahia tem sim uma magia contagiante. Desde a história, vista em pontos como o Pelourinho, passando pelo mar, os sons (e aqui não leia-se axé), e pelo povo, que mesmo com seu jeito malemolente, cativa, atrai, incita uma aproximação. Aqui sinto que tenho mais qualidade de vida, que desfruto mais das pequenas coisas. Hoje pensando, acho que essa mudança foi muito mais do que deslocar meu corpo de um ponto a outro. Mudar significa se abrir para o novo, se despir de conceitos, comodidades e seguranças e, sem medo, desfrutar o incerto. E Salvador me encorajou pra isso!     

 

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